Detalhe de Notícia

19-10-2011
José Melo e Silva analisa a evolução do mercado de seguro de crédito em Portugal

"PME TÊM SENSIBILIDADE CRESCENTE AO SEGURO DE CRÉDITO"

As pequenas e médias empresas exportadoras já estão receptivas ao seguro de crédito, mas há ainda um longo caminho a percorrer para consolidar a valorização desta ferramenta de gestão em todos os empresários portugueses, reconhece José Melo e Silva, responsável pela área de Seguro de Crédito na corretora Patris.

Em 2011, a sinistralidade do ramo voltou a subir, sobretudo no mercado interno.

O contexto económico actual tem incentivado as empresas portuguesas a procurar no mercado externo a resposta à contracção no mercado doméstico. Que papel assume o seguro de crédito numa estratégia exportadora?

Um papel muito importante. Nós temos neste momento a operar em Portugal os principais grupos de seguro de crédito. São entidades com um conhecimento muito detalhado dos vários mercados onde actuam e é isso que as seguradoras põem à disposição das nossas empresas. Ou seja, quando uma empresa vai exportar tem de se preocupar não só com a venda e com a cobrança, mas também com a forma como a venda é feita. Estamos muitas vezes falar de legislações completamente distintas da portuguesa. E aí é fundamental o apoio da seguradora, que permite saber a exposição creditícia do cliente e que apoia na selecção de novos clientes. Por outro lado, concretizada a venda, a empresa passa a estar permeável a eventuais incumprimentos dos clientes. E muitas vezes não se trata da honestidade do cliente, só que o cliente pode estar exposto a um conjunto de factores que se se verificarem vão provocar o incumprimento.

Os empresários têm conhecimento suficiente sobre as potencialidades do seguro de crédito?

Em Portugal, o seguro de crédito tem sido bastante divulgado, quer pelos corretores ou mediadores especializados no seguro de crédito, quer pelos comerciais e pelos colaboradores das seguradoras. Mas temos aqui um problema de mentalidade. Por já ter trabalhado numa seguradora espanhola, posso dizer que devemos estar neste momento, em termos relativos, numa diferença de 1 para 13 em relação a Espanha. Em Espanha há por parte do empresário uma análise mais pragmática do seguro de crédito.

Em Portugal, as grandes empresas e as multinacionais utilizam seguros de crédito, mas o nosso problema está nas pequenas e médias empresas (PME). O empresário espanhol, por exemplo, analisa o seguro nos seus pontos fortes e fracos, verifica se serve ou não e decide se subscreve ou não. O empresário português procura ter sempre a excelência do seguro e procura sempre que a apólice faça algo mais para o qual ela não foi criada e muitas vezes não toma a decisão acertada e não subscreve o produto certo.

Entre quem não subscreve, quais são os principais motivos?

Na actual conjuntura, o motivo objectivo para não fazer seguro de crédito prende-se com a taxa de aceitação de risco por parte da seguradora, que é muito baixa. Depois temos muitas razões subjectivas. Além de ser uma ferramenta de apoio à selecção de novos clientes, o seguro também permite introduzir critérios mais rigorosos no controlo do risco, no controlo do crédito concedido, no controlo dos pagamentos. Mas muitas vezes as empresas não conseguem reagir, não têm capacidade de resiliência à dilação dos prazos dos seus clientes. Temos sectores em Portugal em que estamos perante um perfeito descontrolo das condições de pagamento,em que os clientes pagam a um ano ou ano e meio. Obviamente que situações deste tipo dificilmente são enquadráveis num seguro de crédito. Depois há também um motivo subjectivo que é querer sempre inventar uma apólice de seguro de crédito. O seguro de crédito tem percentagens indemnizatórias que oscilam entre os 80 e os 90%. Mas há empresas que não aceitam 90% e querem 100%.

sso foge à lógica do seguro de crédito, que assenta num princípio de partilha do risco, de co-responsabilização da empresa também na selecção dos seus clientes.

E o factor preço?

É verdade que o preço subiu. Por isso, o número de utilizadores desceu. As companhias fizeram uma selecção de carteira e não renovaram muitas apólices por sua iniciativa. Passámos de 4000 utilizadores no final de 2010 para 2700 utilizadores. Também era um dado curioso saber que, sendo este um mercado muito mais pequeno do que o mercado espanhol, tínhamos, e provavelmente ainda temos, uma taxa média mais baixa que o mercado espanhol.

E como tem evoluído a penetração junto das PME em Portugal?

As PME em todos os sectores estratégicos que exportam são mais receptivas ao seguro de créditos. Tem havido uma sensibilidade crescente. É importante transmitir às empresas que uma das principais causas para o desaparecimento de empresas nos primeiros cinco anos são problemas relacionados com o não pagamento dos créditos que concedem aos seus clientes. O seguro de crédito é fundamental para proteger o principal activo das empresas. Estamos por vezes a falar com gestores que têm os activos das suas empresas seguros por apólices multirriscos, seguros para o património, para força de trabalho, mas esquecem-se que a conta de cliente é o principal activo da empresa. E o seguro de crédito tem mais outra vantagem: a vantagem de selecção, dotando a empresas de mecanismos mais rigorosos no controlo do crédito. A vantagem de ser um serviço que vai fazer a recuperação dos créditos e a vantagem de poder permitir o acesso ao crédito bancário em condições mais vantajosas. O seguro de créditos acaba por ser muito transversal e por ter um conjunto de vantagens que neste momento são muito importantes para as empresas.

A sinistralidade mantém índices altos?

Neste momento não mantém índices altos, embora se verifique uma tendência de subida da sinistralidade. O seguro de créditos tem um ciclo lento. A seguradora vai ter ref lexos das inistralidade nove a dez meses depois dessa sinistralidade do ponto de vista prático já se ter começado a verificar no mercado. Porque a empresa vende em Janeiro, deveria receber 90 dias depois, entretanto há uma margem de 60 dias para negociar com o cliente sem ser obrigado a informar do atraso do cliente e quando é assumido o sinistro já passou muito tempo e a seguradora também não vai indemnizar imediatamente. Geralmente as seguradoras têm um prazo limite de 120 a 180 dias para indemnizar, a contar a partir do momento em que é comunicado o incumprimento à seguradora.

E como está a sinistralidade agora?

A sinistralidade subiu exponencialmente em 2009. Com a concessão mais restritiva de crédito e com o aumento de preços dos seguros, houve uma descida também abrupta da sinistralidadeem 2010. Começou a sentir-se esse efeito a partir do segundo trimestre de 2010.

Em 2011 começou a sentir-se no mercado externo alguma subida de sinistralidade, nomeadamente em mercados mais críticos, como o grego, mas também começou a assistir-se a um aumento preocupante da sinistralidadeno mercado interno, por incumprimento de empresas portuguesas. Estamos com uma economia bastante arrefecida e não sabemos como vai ser daqui para a frente. Por outro lado, existe outro factor que pode concorrer para o aumento da sinistralidade, que é a redução do volume de prémios por via de quebras nas vendas das empresas. Não obstante os preços terem subido, há muitas apólices que têm previsto determinados capitais e estes não estão a ser atingidos porque as vendas estão a diminuir. Logo, estão a gerar menos prémios.

Como vai evoluir este negócio?

Para 2012, não temos perspectivas. A nossa grande preocupação em 2010 e 2011 foi a manutenção da carteira. Essa preocupação acabou por ser facilitada pela própria conjuntura, porque cada vez mais as empresas que são nossas clientes procuram e solicitam a nossa intervenção. Conseguimos uma maior aproximação, maior fidelização da carteira. Em 2011 vamos ter no seguro de crédito um ligeiro crescimento, de 5%, relativamente a 2010. A nossa carteira não tem sido muito penalizada pela sinistralidade porque temos a preocupação de sermos parceiros das seguradoras na selecção do risco. Em 2012 vamos privilegiar a captação de novo negócio, abrindo mercado. Faz todo o sentido ir procurar empresas que não sejam utilizadores de seguros de crédito, em sectores não tradicionais.

O mercado vai ficar mais maduro?

Tem forçosamente de ficar mais maduro, porque a mutação, a volatilidade dos incumprimentos é cada vez maior e as empresas têm de proteger os seus activos.

Por Ana Santos Gomes

In Jornal Oje

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